O presidente da Federação Nacional dos Institutos dos Advogados do Brasil (FENIA), Tarcísio Kroetz, comentou, em entrevista à Gazeta do Povo, a nota divulgada pelo ministro Dias Toffoli em defesa de sua atuação no inquérito que envolve o Banco Master, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).
A entrevista foi concedida em meio a questionamentos públicos sobre os procedimentos adotados na investigação, especialmente a centralização de atos no STF, a custódia das provas fora da Polícia Federal e a imposição de sigilo máximo no caso.
Para Kroetz, a nota do gabinete teve caráter defensivo, mas não afastou as dúvidas jurídicas levantadas. Segundo ele, a adoção de práticas fora do padrão ordinário da investigação criminal tende a gerar riscos processuais futuros. “Quando se adotam métodos fora do padrão ordinário da investigação criminal, abre-se espaço para contestações posteriores e para alegações de nulidade”, afirmou.
O presidente da FENIA também avaliou que controvérsias desse tipo ultrapassam o caso concreto e impactam a percepção institucional do Supremo. “O Supremo já atua sob enorme pressão política, e casos dessa natureza acabam projetando sobre todo o tribunal dúvidas que originalmente recaem sobre decisões individuais”, disse.
Na análise do presidente, o episódio reforça a necessidade de maior previsibilidade procedimental e transparência institucional, sobretudo em casos sensíveis. Para ele, “quanto mais sensível o caso, maior precisa ser a clareza sobre as regras do jogo”, condição essencial para preservar a credibilidade do Judiciário e afastar suspeitas de interferência política.
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